Com quarta capa assinada por Jarid Arraes, Priscilla Pinheiro usa a palavra como caminho onírico em poemas de estreia

Em “Passagem de Ida e Volta”, publicado pela editora Folheando, autora cearense adota, logo no primeiro livro, uma estética fluida e ritmo certeiro 

“Este livro é também uma dança lírica, uma obra coesa que nos ajuda a apreciar todos os fenômenos transitórios e transformadores que nos atingem. Priscilla Pinheiro nos possibilita, com sua poesia, uma passagem pelo profundo do que há em nós.”

Trecho do texto de quarta capa, assinado por Jarid Arraes

A escritora e publicitária Priscilla Pinheiro nasceu em 1993, no Ceará. Sempre gostou muito de rabiscar palavras e desenhos e, por isso, ama ter papéis, lápis e canetas por perto. Mestranda em comunicação, ela também é redatora e produtora de conteúdo. “Passagem de Ida e Volta” (55 pág.), publicado pela Editora Folheando, é seu primeiro livro de poesia, e Jarid Arraes, uma de suas principais inspirações, assina o texto de quarta capa.

O livro fala sobre os caminhos que descobrimos no próprio caminhar para além do material, por meio do sonhar, imaginar e rememorar. Seus poemas são uma dança lírica que trazem a percepção de um entre-lugar, onde a palavra não é apenas uma linha de partida ou de chegada, mas o próprio movimento. Passado, presente e futuro se fundem na travessia e no autoconhecimento.

Alguns dos poemas do livro nasceram a partir de oficinas de escrita ministradas por nomes como Tayná Saez, Yara Fers e Natália Borges Polesso. Após o final de uma dessas oficinas, Priscilla juntou seus poemas que estavam entre o movimento interno e externo. 

A escrita como arte e ofício

Desde criança, Priscilla já estava em contato com a escrita e chegou a ganhar alguns prêmios de poesia e redação. A pandemia trouxe para a autora uma necessidade de reinvenção. Ela passou a apostar mais na escrita literária e de diários, e o resultado desse movimento encontramos em “Passagem de Ida e Volta”. Hoje, a escrita faz parte de sua vida como arte e ofício, se dividindo entre a escrita literária, a técnica e a acadêmica. 

Sua escrita é transparente e honesta, conta histórias como numa conversa, seguindo os passos de Adília Lopes, Ana Guadalupe e Matilde Campilho. Uma poesia ritmada e bem trabalhada, mas acessível para todos os leitores. Ela tenta exercitar a escrita todos os dias, rascunhando pelo menos alguns trechos, pois acredita que a prática é uma aliada da inspiração, forma criativa também muito valorizada em seu processo. As aulas da especialização em Escrita e Criação, curso ministrado pela escritora Socorro Acioli na Unifor, ajudaram bastante no processo de edição do livro, além de ampliar o repertório literário de Priscilla para continuidade da escrita e aprofundamento de estudos.

Para a capa, Priscilla Pinheiro pediu à ilustradora Gyzelle Goés que trouxesse montanhas, caminho e um saturno. O efeito de câmera analógica nas bordas do livro também tem seu significado. O livro, por falar de mudanças de tempo e espaço, se assemelha muito a fotografias que relampejam feito instantes na memória. 

Priscilla Pinheiro já possui outros dois livros de poemas prontos, aprimorados durante a mentoria com Jarid Arraes. Um deles fala muito sobre o aspecto da casa, da família e das memórias de gerações, além do cotidiano também estar muito presente. Já o outro é voltado para crianças, leve e divertido, tratando da importância de aprender e sonhar. 

A poeta também possui outro projeto em andamento, que se relaciona com as temáticas de relacionamento abusivo, dor, solidão, vazio e perdas. Ela se mostra assim bastante prolífera em sua literatura, trazendo diversos aspectos da sua escrita, pronta a criar uma aproximação com seus leitores. 

a velha via o pó dos arquivos
a mancha dos retratos
consumidos e alimentados
pela passagem do tempo

o bolor das flores
o enferrujar das cadeiras
a enciclopédia desatualizada
o livro de poemas amarelos

a velha olhava ao redor
o seu antiquário cheio de quinquilharias
qualquer dia apareceria no programa de acumuladores
a velha ria

ria mesmo de tudo e
especialmente de si

trecho do poema “A duros dentes”
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