Um poema de Julia Cristina Costa dos Santos

não existe nada mais poderoso do que a escuta!

quais mulheres insistimos em não escutar?

POIS ME SEGURA, SENTA AÍ QUE O VERBO EU VOU SOLTAR.

tentaram me calar, eu cantei;
tentaram me podar, eu floresci;
tentaram me queimar, eu renasci.

mesmo que não exista mais uma fogueira literal, pessoas continuam a me queimar em suas fogueiras de vaidades.

tu me queima quando me silencia;
tu me queima quando me impede de florescer;
tu me queima quando me chama de guerreira e não enxerga que é exaustão;
tu me queima quando me julga pela minha fala, cabelo, roupa;
tu me queima quando não respeita minha escolha.

quantas fogueiras são necessárias para me calar?

apenas uma, que vem da pessoa que eu insisto em admirar e que me faz silenciar.

quantas mulheres eu já queimei por pura vaidade e insisto em queimar?

várias, perdi as contas, estou cansada de contar.

o mesmo fogo que mata, transforma em qual lado da fogueira você insiste em ficar?

Julia Cristina Costa dos Santos é um caleidoscópio em forma de mulher: escrever para transformar e o nó desatar. Estudante de psicologia, feminista & contadora de histórias.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Quatro poemas de Baga Defente

equação em todo poema que eu escrevoexiste vocêque transforma todos eles½ que numa equação matemáticaonde vocêé sempre uma variável (às vezes)você é como o sol

Cinco poemas de Laila Enby Langhammer

rede (anti)social Um mar de conformismoEntre ódios diversosBoiamosSem apoio ou sustentação Tente não afundar. Curva fechada Sentimentos grandesPesadosEsmagamQuebramMeus ossos partidosAs costas feito curvaEstrada oblíquaEscorregadiaDesdobra-sePor todos

com.tato de primeiro grau

Assine a newsletter da com.tato. Um espaço para falar de literatura com autores, autoras e editoras independentes.

Carrinho de compras0
Não há produtos no carrinho!
Acessar o conteúdo