Um poema de Lucas Laurentino

As donas de casa e a guerra

Nem se pode assar um pão um bolo um lanche qualquer
para o café da tarde
Na despensa falta o ovo, a farinha é pouca
e não se lembra onde pôs o leite

Faz calor a cozinha abafa parece estufa
o gás está para acabar
a geladeira bamba meio descompensada ela
range toda vez que abre ou fecha a porta

O movimento é executado muitas vezes
a lâmpada dentro acende às vezes fica apagada porque o interruptor travou
e tudo parece mais escuro que o normal

Mesmo sendo dia há uma penumbra pela casa
talvez nuvens de chuva o que a lembra
de que é preciso ir ao mercado é preciso passar na padaria
é preciso fazer a lista antes
que tudo feche
Antes que as crianças voltem da escola
à espera de que as crianças voltem da escola

Lucas Laurentino é de Bangu, subúrbio do Rio de Janeiro, tem 28 anos e é formado em Letras pela UFRJ, onde também fez mestrado e está cursando o doutorado. Além do interesse em literatura, também é apaixonado por tudo que é de terror (filmes, livros, jogos, etc.). Em 2022 publicou o seu TCC em formato de livro, cujo tema é a figura da criança nos filmes de terror.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Quatro poemas de Baga Defente

equação em todo poema que eu escrevoexiste vocêque transforma todos eles½ que numa equação matemáticaonde vocêé sempre uma variável (às vezes)você é como o sol

Cinco poemas de Laila Enby Langhammer

rede (anti)social Um mar de conformismoEntre ódios diversosBoiamosSem apoio ou sustentação Tente não afundar. Curva fechada Sentimentos grandesPesadosEsmagamQuebramMeus ossos partidosAs costas feito curvaEstrada oblíquaEscorregadiaDesdobra-sePor todos

com.tato de primeiro grau

Assine a newsletter da com.tato. Um espaço para falar de literatura com autores, autoras e editoras independentes.

Carrinho de compras0
Não há produtos no carrinho!
Acessar o conteúdo